Crônica: Janelas

por Chiquinho Corrêa *

Abra a janela, coloque seus olhos a serviço da perspectiva. O que vê?  Creio que para o ponto de vista do observador, há ranhaduras existenciais na perspectiva do olhar: ora neutro, ora profundo. De qual janela observa o mundo? Da janela de taboa, ou da janela de persianas inox? Sei que cada janela nos proporciona um olhar diferente, traduz época e sentimentos incorpóreos, quase eternos. Há janelas que detém o olhar, assim como há janelas que envolvem o horizonte distante.

Cada um de nós tem a sua janela em particular. Cada janela tem as suas características; podem ser: claras, escuras, sombreadas, escondidas, expostas. Cada janela traduz os sentimentos e momentos vividos do observador. São janelas festivas, janelas tristes, janelas líricas, janelas que nos remete ao passado (na Rua João Pessoa, há varias janelas, que se mantêm presentes,  que me remete ao passado, quando da volta pra casa à noite, pós Alonso).

Você, caro leitor, tem a sua janela predileta? Ou se mantém preso somente às janelas do seu carro: fria. Creio eu, que ainda mantenho o olhar fixo no horizonte, pela janela do tempo; mas também sei que num futuro não tão distante, serei um objeto do ponto de vista da janela; serei mais um sob o olhar atento da vida se esvaindo, sumindo no horizonte da janela.

(*) Chiquinho Corrêa é Mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAr) e Especialista em Manejo de Solo pela Universidade de São Paulo (USP)

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